Você já teve
um relacionamento com um morto-vivo? Não estou dizendo aqueles seres sedentos
de carne, altamente irritantes como os que voltam por maldição, os feiticeiros necromantes ou mesmo os carniçais mais poderosos! Estou falando de uma pessoa que morreu e voltou
à vida (continuam mortos, mas andam, falam, etc), seja por sem que tenha qualquer ligação com forças arcanas. Com James aconteceu algo assim e, infelizmente, a pessoa em
si era sua esposa, Christine.
Foi em um dia
ensolarado, com um assalto junto de cheiro de pólvora se espalhando pelo ar e um corpo ao chão no final de tudo. James e
Christine haviam saído em um passeio para comprar gim, temperos e outras
coisas variáveis, quem imaginaria que tal atrocidade ocorreria? De qualquer
forma James havia se tornado viúvo, o enterro seria em quatro dias e seu caixão
se encontrava na sala de visitas da casa onde viviam.
Na noite posterior James ouviu o barulho de algo grande sendo tombado, então pegou sua arma e, com
cautela, desceu para averiguar. Qual não foi sua surpresa ao encontrar
Christine na cozinha, comendo uma maçã.
-O leiteiro
não passou hoje, querido? – perguntou ela após engolir o pedaço que mastigara, mas seu marido não respondeu
nada.
A confusão
foi enorme e demorou horas para fazê-la começar a entender. Por incrível que
pareça ela não se surpreendera. O buraco da bala ainda era visível em seu
pescoço, quando ela engolia dava para ver a comida descendo!
Como aquilo
acontecera? Como explicaria para outras pessoas? Eram tantas as perguntas.. Em
dois dias a cabeça de James estava o torturando pois tentava evitar que outras pessoas vissem sua esposa, até mesmo fechou o caixão alegando que a dor da perda era tamanha que não suportava vê-la ali. Mas logo outras coisas
ocorreram.
Faltando um
dia para o funeral, enquanto descia as escadas, Christine tropeçou por causa do salto de seu sapato que quebrara e rolou
escada a baixo. Um barulho alto soou e James a encontrou com cabeça virada em um ângulo errado, constatou que o pescoço estava quebrado. Ela não se movia, parecia estar morta...
No dia do
funeral estava tudo arrumado, Christine estava em seu caixão e o padre já havia
chegado. Não percebera o pescoço fraturado por conta de um cachecol branco que James colocara para "adorna-la". Logo os amigos e familiares iriam chegar e ninguém saberia do
ocorrido.
O padre havia
ido ao quarto de hóspedes para vestir a roupa adequada para a ocasião e por isso não ouviu o bocejo vindo da sala principal e a queixa de um torcicolo. James, por sua vez engasgou com o café ao ver sua esposa saindo do caixão e perguntando o
porquê de estar acordando ali novamente.
James largou
o copo e se desesperou, e se o padre a visse? Embora James não entendesse, não
achava aquilo de todo mal, mas o que um padre diria? Toda a preocupação vinha do medo da reação que outras pessoas teriam ao vê-la.
Decidiu que o padre tinha que
sair! Sem dar um motivo fácil de entender eles expulsou o padre de sua casa,
trancando o portão, as portas e as janelas.
Christine tinha encaixado de tal forma seu pescoço que ele poderia andar sem precisar segurar sua cabeça, embora bem torto e um tanto arrepiante.
Christine tinha encaixado de tal forma seu pescoço que ele poderia andar sem precisar segurar sua cabeça, embora bem torto e um tanto arrepiante.
James ouvia
os convidados se aglomerando à frente de sua casa algum tempo depois. Estavam preocupados e o padre dizia que ele estava tendo algum tipo de crise, mas James não se importava com
isso. Estava sentado em sua poltrona, trêmulo e pálido, Christine estava na
cozinha, preparando almoço.
Poucos
minutos se passaram quando um grito ecoa, vindo da cozinha. James correu chamando a esposa e a encontrou caída no chão. A panela estava queimando
ardidamente com gordura de baleia em muita quantidade e sua Christine no chão, com o cabelo
chamuscado e a pele do rosto e mãos derretida. Os olhos ficaram brancos, o
nariz meio aberto e os lábios na carne ‘viva’. Parecia estar
morta, mas em pouco tempo ela se levantou e voltou a fazer seus afazeres
domésticos.
-Perdão, querido. - disse ela - Não vi que havia colocado demais, acho que minha vista não está tão boa.. Deve ser por causa dessa dor no pescoço.
Daí em diante as coisas só pioraram, e James ainda tentava entender
se estava realmente vivendo aquilo ou era apenas um sonho insano.
Durante o
tempo que se seguiu o estado de Christine apenas piorou. Ela cortou o dedo indicador enquanto
picava cenouras com uma faca afiada, tropeçou no banheiro e rachou o crânio no chão com direito à uma depressão em sua têmpora esquerda, rasgou seu
braço num prego, costurou um tecido em si mesma quando consertava uma peça de
roupa pois estava com dificuldade de manejar a agulha sem o indicador. Dado momento os
convidados tentaram invadir e James teve que afugentá-los com sua arma,
disparando para cima enquanto gritava palavras como "Me deixem em paz!" e "É melhor vocês não entrarem! É para o bem de todos!". Pois bem, Christine foi guardar sua arma, uma espingarda de dois canos, que acabou
disparando acidentalmente e abrindo um grande buraco em sua barriga, por onde
seus intestinos, com a coloração de um coágulo, ficaram pendurados. Parecia que quem voltava dos mortos tinha o
azar multiplicado por mil, tamanha a quantidade de suas desgraças que acometeram a pobre esposa dedicada.
Finalmente
James chegou a seu limite, embora sua esposa entendesse que era uma pessoa morta que voltara à vida,
ele não conseguiria viver assim por mais tempo. Colocou os canos da arma na boca e puxou o gatilho. Seus
miolos se espalharam na parede mas Christine não se importou pois pensava que, como
ela, seu marido retornaria.
E por ali
ficou por muito tempo e ainda está lá. Pessoas tentaram entrar e algumas conseguiram,
mas logo que encontravam Christine se desesperavam. Nem a polícia nem o clero
conseguiram resolver isso, e fogo, tiros ou golpes de lâminas e martelos também não a mataram. A casa foi fechada e
dada como má assombrada.
E lá fica
Christine, a esposa dedicada que espera seu querido marido retornar dos mortos...